O bairro Tatuapé não é só um dos mais agradáveis e desejados de São Paulo, mas é também um local histórico e de grande valor para a cidade.

 Conheça a história do Tatuapé e saiba tudo sobre o bairro mais querido da Zona Leste.

História

Sua exploração foi iniciada por volta de 1560 por Brás Cubas, fundador da cidade de Santos, que decidiu atravessar a Serra do Mar em busca de ouro. No caminho, encontrou o Rio Tatuapé e ali decidiu ocupar o local para criar gados e plantar uvas. No entanto, a região do Tatuapé teve pouco crescimento até o final do século XIX.

A partir de então, vários imigrantes e moradores do Tatuapé começaram a escrever sua história. Um certo italiano, de nome Benedito Marengo, comprou um pedaço de terra e iniciou sua plantação de uvas na região. O sucesso foi tamanho que, em curto espaço de tempo, foi necessária a compra de novas áreas agrícolas para atender a clientela. O negócio foi expandido para onde está localizado o Hospital Municipal do Tatuapé, na Avenida Celso Garcia. Abaixo, um retrato da família Marengo em sua propriedade.

Os imigrantes, principalmente os italianos, foram responsáveis por grande parte da urbanização da região. Dotados de conhecimento, aplicavam suas técnicas para criar oficinas em bairros como o Brás, a Mooca e o Tatuapé. Anos depois, as oficinas viraram fábricas e precisaram de mais espaço para desenvolver uma indústria que se desenvolvia rapidamente.

A palavra “Tatuapé” possui origem Tupi e significa “caminho de tatu”.

Mais tarde, nos anos 60, surgem os primeiros comércios para atender a crescente população. Para melhorar o fluxo dos transportes, foi inaugurada a Radial Leste, uma das principais avenidas de São Paulo até hoje. Na época, a via foi um importante fator de urbanização, uma vez que era o principal caminho entre a Zona Leste e o Centro.

Já na década de 70, as indústrias deram lugar à construção de imóveis residenciais , que se intensificaram entre as décadas de 80 e 90, quando as fábricas foram desinstaladas completamente. Inicia-se então um boom imobiliário que perdura até os dias de hoje no bairro Tatuapé, com redução total da indústria e ampliação do comércio.

Anália Franco

Você sabe quem foi Anália Franco?

Anália Franco nasceu no dia 10 de fevereiro de 1856 em Resende, Rio de Janeiro, e passou a morar em São Paulo a partir dos 8 anos de idade. Professora e jornalista, teve um importante e nobre papel na sociedade, pois ajudou a fundar mais de 100 escolas em um período de muita segregação racial e pouca infraestrutura, devido a abolição da escravatura, ocorrida em 1888.

Em 1911, Anália Franco comprou um terreno e fez um campo de lavoura, onde trabalhavam ex-prostitutas. O valor arrecadado era direcionado ao pagamento dos estudos de crianças órfãs. Mais tarde, o terreno começou a ser vendido e deu lugar ao Jardim Anália Franco.

Ruas

Saiba quem são as pessoas que levam seus nomes nas Ruas do Tatuapé.

Antonio Camardo: Imigrante que iniciou negócios na venda de cavalos e passou a comercializar selas.
Francisco Zicardi: Francisco Zicardi casou-se com a filha de Antonio Camardo, Cecília Camardo, e trabalhou 12 anos para a família Marengo.
Francisco Marengo: Filho de Benedito Marengo, vinicultor de sucesso do Tatuapé. Ele deu continuidade aos negócios do pai.
Emília Marengo: Esposa de Francisco Marengo.
Azevedo Soares: Foi professor de matemática e comprou sua primeira chácara no início do século XX entre as atuais ruas Azevedo Soares, Coelho Lisboa e Serra do Japi. Depois, comprou um terreno e doou a uma instituição religiosa, com a condição de que se construísse uma capela em homenagem à Nossa Senhora de Bom Parto, que é hoje uma das igrejas mais tradicionais do Tatuapé.

Celso Garcia: Seu nome é em homenagem ao jornalista, advogado e vereador Afonso Celso Garcia da Luz. Ele foi vereador da cidade de São Paulo entre os meses de janeiro de 1905 e 1911. Foi responsável por criar bondes especiais para operários e implantar bilhete escolar nos bondes elétricos.

Curiosidades

  1. O Tatuapé já teve 31 km² de área, do Rio Tietê a São Mateus. Hoje, possui 8,2km².
  2. A família Marengo foi a primeira a trazer as uvas Niágara ao Brasil.
  3. O Rio Tietê já foi uma ótima opções de lazer para famílias. Até sua retificação, o local era utilizado por pessoas que nadavam, pescavam, faziam piqueniques e praticavam esportes. Na década de 50, o prefeito Adhemar de Barros decidiu desembocar as redes de esgoto sanitário no Tietê, que já recebia despejos das indústrias. O Rio Tietê cortava vários bairros, inclusive o Tatuapé, que precisou passar por um processo de canalização.
  4. Após a década de 40, a Avenida Celso Garcia era a principal via de ligação entre o Centro e a Penha, por onde transitavam bondes, ônibus e táxis. A Avenida abrigou muitas indústrias, que aos poucos foram embora e deram lugar ao comércio.

Casa do Tatuapé

Uma das relíquias do bairro é a Casa do Tatuapé, localizada na Rua Guabijú, 49. Pertencida ao padre Matheus Nunes de Siqueira, a Casa do Tatuapé é uma antiga olaria que fabricou telhas, e a partir do século XIX, com a chegada dos imigrantes italianos, passou também a fabricar tijolos. Hoje, a Casa faz parte de um projeto entre Prefeitura de São Paulo, Departamento do Patrimônio Histórico e Museu Paulista da USP e é aberta ao público desde 1991.

Tradição na várzea

Existiam muitos campos de várzea na região da Avenida Salim Farah Maluf. Foram mais de 250 clubes de futebol que nasceram no Tatuapé, como o Vila Pires, Guarani, Destemidos, Ressaca etc. A partir dos anos 70, com o crescimento da população e da especulação imobiliária, a maioria dos campos de várzea se extinguiram, assim como seus times.